ENTENDA QUEM ERAM OS BANDEIRANTES EM 26 TÓPICOS





Bandeirantes eram sertanistas de origem portuguesa que penetraram no interior da América do Sul e traçaram os contornos do que seria o Brasil atual. Por onde passaram, descobriram estados (Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Tocantins) e fundaram cidades.

Ao contrário do que se pensa, os bandeirantes eram em sua maioria mestiços de europeus e índias. Andavam descalços e tinham aparência de maltrapilhos. Costumavam utilizar o arco e flecha como arma. Muitos eram índios que desempenhavam funções com a de batedor.

O líder do grupo bandeirante era um sertanista branco com bastante experiência. Era ele quem reunia parentes, agregados e escravos para formar as chamadas bandeiras.

Existiam três tipos de bandeiras, as expedições bandeirantes, que normalmente partiam da antiga vila de São Paulo: apresadoras (para capturar índios como escravos), prospectadoras (que saíam em busca de metais e pedras preciosas) e sertanistas de contrato (grupos contratados para combater tribos indígenas hostis no interior).

Partiram tantas bandeiras de São Paulo que por alguns tempos, a vila transformava-se numa localidade habitada quase que exclusivamente por mulheres e idosos.

Uma das principais atividades dos bandeirantes era a captura do “ouro vermelho” – índios que mais tarde serviriam de escravos nas lavouras da pacata vila de São Paulo (acredite se quiser, mas ela tinha somente 1 500 habitantes em 1 601). O trigo ali produzido era exportado para as capitanias do litoral.

Com o declínio das operações de “caça”, os bandeirantes passaram a concentrar as suas expedições na busca de metais preciosos. Foi assim que colonizaram o atual estado de Minas Gerais e fundaram a cidade de Ouro Preto.

São Paulo estava mais para um arraial do que para uma vila. Situada nas margens do córrego Anhangabaú, era cercada por um muro de taipa. As residências eram do mesmo material. O seu primeiro edifício foi o Colégio de São Paulo, onde hoje está o Pátio do Colégio. A maioria dos paulistas mal falava o português.

As refeições dos bandeirantes dependiam muito da coleta de frutas. A pesca e a caça ajudavam a abastecer o estômago. Mas eles também levavam guarnições de farinha de milho, farinha de mandioca, feijão e toucinho na “bagagem”.

Escravos costumavam ir na frente para plantar milho e mandioca em pontos estratégicos para o abastecimento das bandeiras. Foi desse modo que várias cidades do interior (ou arraiais, como eram conhecidas) foram fundadas.

Os bandeirantes costumavam andar em torno de 10 quilômetros por dia (esqueça os cavalos da imagem acima). Grande parte do trajeto era percorrido de barco. Eles nunca tinham data para voltar.

As bandeiras menores, de prospecção, tinham em torno de 20 homens e as maiores – normalmente de captura de escravos – chegavam a possuir mais de 600. A última expedição do bandeirante Raposo Tavares, que chegou à região do moderno estado do Amazonas, chegou a ter 1 320 homens.

Os bandeirantes estavam longe – muito longe, por sinal – de serem criaturas boazinhas. Eles costumavam usar o terror para capturar aldeias. Faziam reféns, queimavam pessoas vivas, matavam crianças e queimavam aldeias inteiras no intuito de capturar novos escravos.

Várias nações indígenas foram extintas pelos bandeirantes, entre elas os guarulhos, os janduins, os guaranis-iatim, os araés e os goyás. O povo goyá foi a tribo que batizou o atual estado de Goiás.

Atualmente estabelecidos no Mato Grosso, os xavantes são originários de Goiás. Os seus antepassados migraram para o Mato Grosso para fugir dos ataques bandeirantes.

Até onde se sabe, o primeiro bandeirante foi o português João Ramalho. Inicialmente estabelecido em São Vicente, ele ajudou a colonizar o planalto onde hoje estão situadas as cidades de São Paulo e Santo André.

João Ramalho casou-se com a filha do cacique Tibiriçá, um importante líder indígena do período colonial português, com quem teve diversos filhos. Também teve filhos com outras índias, o que foi de suma importância no estabelecimento de alianças com os nativos e melhor aceitação dos colonos oriundos de Portugal (detalhe: inclusive os jesuítas).

A primeira vila portuguesa distante do litoral foi Santo André da Borda do Campo. Fundada por João Ramalho no chamado planalto de Piratininga, ela deu origem às cidades que hoje compreendem a região do Grande ABC: Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul.

Um dos bandeirantes mais conhecidos foi Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera. Conta-se que, para convencer uma tribo indígena a revelar onde tinha encontrado ouro, ateou fogo em uma pequena vasilha com cachaça e ameaçou incendiar os rios locais. Assustados, os índios passaram a chamá-lo de “diabo velho”, ou Anhanguera. Ajudou a colonizar o estado de Goiás. Bartolomeu da Silva tinha um filho com o mesmo nome que também foi bandeirante.

Fernão Dias Paes Leme participou de expedições aos atuais estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Participou de expedições que expulsaram os holandeses do litoral brasileiro. Encabeçou bandeiras em busca de esmeraldas. Nunca chegou a encontrar as preciosas pedras verdes, mesmo assim entrou para a história como “o caçador de esmeraldas”.

Manuel Borba Gato era genro de Fernão Dias Paes Leme. Conseguiu descobrir ouro nos sertões de Minas Gerais, mais propriamente na região de Sabará, onde fundou a cidade de mesmo nome. Atuou como moderador na Guerra dos Emboabas (conflito pelo direito de exploração das jazidas de Minas).

Antônio Raposo Tavares participou das expedições que expulsaram os jesuítas espanhóis da região de Guaíra, no atual estado do Paraná, e de Tapes, no moderno Rio Grande do Sul, ampliando as fronteiras do Brasil. Teve papel importante na colonização dos estados do Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina. Ajudou a combater os holandeses no litoral nordestino. Percorreu a maior parte do território brasileiro, chegando ao rio Amazonas.

Chamada por alguns historiadores de A Grande Marcha de Raposo Tavares, essa bandeira começou em 1 648. Ela começou na Vila de São Paulo, de onde se embrenhou pelo interior através do rio Tietê. Chegou até o rio Paraná e depois, ao Paraguai. Mais tarde, embrenhou-se no rio Guapaí até o Madeira, que o ajudou a atingir o rio Amazonas.

Domingos Jorge Velho embrenhou-se pelo Nordeste. Ajudou a conquistar tribos indígenas ainda não submetidas ao domínio português. Uma das suas expedições entrou pelo interior do Piauí (o único estado nordestino a ser colonizado a partir do interior). Participou da expedição que derrotou o quilombo de Palmares, no interior de Alagoas.

Entre as cidades fundadas por bandeirantes, vale citar Salto, Itu, Goiás Velho, Ouro Preto, Sabará, Mariana e Tietê, entre outras.

De estátuas a rodovias, existem inúmeras referências aos bandeirantes no Estado de São Paulo (onde ainda há uma visão romantizada desses colonizadores). A sede do governo paulista chama-se Palácio dos Bandeirantes. Uma das principais vias da capital é a avenida dos Bandeirantes. Podemos citar ainda a rodovia dos Bandeirantes, a rodovia Anhanguera, a rodovia Raposo Tavares e a rodovia Fernão Dias.

Fontes: Wikipédia, Aventuras na História, Super Interessante, Saga – A Grande História do Brasil, UOL Educação, InfoEscola.


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